O primeiro debate entre candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026 será realizado neste domingo, 23 de agosto, às 20h, nos estúdios da Band, em São Paulo. Dos seis presidenciáveis convidados pela emissora, quatro devem participar: Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), primeiro e segundo colocados nas pesquisas de intenção de voto, não devem comparecer.
O encontro inaugura a temporada nacional de debates televisionados da campanha presidencial e será realizado pouco mais de um mês antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro.
A provável ausência dos dois candidatos que concentram a maior parcela das intenções de voto altera a dinâmica prevista para o confronto e abre espaço para que os demais concorrentes tentem ampliar sua exposição, apresentar propostas e se posicionar como alternativas à polarização entre PT e PL.
Lula e Flávio devem ficar fora
A campanha de Lula comunicou informalmente à Band que o presidente não deverá participar do encontro. A avaliação entre integrantes da campanha é de que o petista ficaria exposto aos ataques dos demais concorrentes, inclusive candidatos cuja presença não era obrigatória pelas regras eleitorais. A formalização da decisão era prevista para este sábado, 22.
Flávio Bolsonaro também deve ficar fora do debate. O senador vinha condicionando sua presença à participação de Lula. A estratégia é evitar que, sem o petista no estúdio, o candidato do PL se transforme no principal alvo dos outros concorrentes, especialmente daqueles que disputam votos no campo da direita.
A Band decidiu manter no cenário os púlpitos reservados aos candidatos ausentes. Assim, caso Lula e Flávio não compareçam, os espaços permanecerão vazios durante a transmissão.
A decisão ganha peso diante da configuração atual da corrida presidencial. Pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira, 21, aponta Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno e Flávio Bolsonaro com 33%. Ronaldo Caiado aparece com 5%, Renan Santos registra 4% e Romeu Zema tem 3%. Os demais concorrentes aparecem entre 1% e 2%.
No levantamento anterior usado pelo agregador da BBC, Lula aparecia próximo de 40%, Flávio com 34%, Caiado e Renan com 4% cada, Zema com 3% e Cury com 1%.
Como os candidatos foram escolhidos
Embora 13 candidaturas à Presidência tenham sido registradas para a eleição de 2026, apenas seis nomes foram inicialmente convidados pela Band.
A legislação eleitoral assegura participação nos debates aos candidatos cujos partidos ou federações possuam pelo menos cinco representantes no Congresso Nacional. Atendem a esse requisito, entre os convidados, PT, PL, PSD e Avante.
As emissoras também podem convidar candidatos que não preencham o critério mínimo de representação parlamentar, desde que sejam observadas as regras acertadas para o encontro. Foi dessa forma que Romeu Zema e Renan Santos foram incluídos.
A composição do debate, entretanto, chegou à Justiça Eleitoral. O Democracia Cristã pediu ao Tribunal Superior Eleitoral a inclusão de sua candidata, Clariana Barão. A legenda argumenta, entre outros pontos, que nenhuma mulher foi convidada e questiona o fato de outros candidatos sem direito legal automático terem recebido convite.
Clariana e Samara Martins (UP) são as duas mulheres entre os candidatos à Presidência, mas seus partidos não alcançam o número mínimo de parlamentares que obriga as emissoras a incluí las nos debates.
Pablo Marçal (PRTB), por sua vez, não poderá participar enquanto sua situação jurídica não for definida. O TSE determinou que ele fique fora dos debates enquanto o registro de candidatura não for julgado. Marçal está inelegível e tenta reverter a decisão que o impede de concorrer até 2032.
Debate terá confrontos diretos
A Band preparou um formato com maior espaço para confronto entre os presidenciáveis. O programa será dividido em três blocos e terá perguntas dos apresentadores Eduardo Oinegue e Adriana Araujo, além de jornalistas do Grupo Bandeirantes.
Em duas etapas, os candidatos poderão questionar diretamente os adversários. A dinâmica prevê perguntas, respostas, réplicas e tréplicas, com possibilidade de circulação dos participantes pelo estúdio durante os confrontos.
A ordem dos púlpitos também já foi sorteada. Renan Santos ocupará a primeira posição à esquerda, seguido por Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Augusto Cury e Romeu Zema. Se os dois líderes das pesquisas confirmarem a ausência, seus espaços serão mantidos vazios.
Ausências aumentam importância do debate para candidatos menores
Sem Lula e Flávio, o debate pode assumir uma função diferente daquela inicialmente esperada. Em vez de um confronto direto entre os dois favoritos, o palco tende a se transformar em uma disputa por visibilidade entre candidatos que ainda aparecem com percentuais de um dígito nas pesquisas.
Para Caiado, Zema, Renan Santos e Augusto Cury, o programa oferece uma oportunidade de alcançar um público maior e apresentar suas candidaturas antes do início da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, previsto para 28 de agosto.
A exposição é particularmente importante para quem terá pouco ou nenhum espaço na propaganda nacional. Segundo informações reunidas pela BBC News Brasil, Augusto Cury terá apenas 35 segundos, enquanto Zema e Renan Santos não terão tempo na propaganda em rede nacional devido aos critérios de representação partidária.
Além da audiência ao vivo, as campanhas devem concentrar atenção na repercussão digital. Cortes de respostas, confrontos e declarações de impacto podem circular nas redes sociais durante e depois do programa e alcançar eleitores que não acompanharam a transmissão completa.
Segurança e economia devem dominar confronto
Segurança pública aparece entre os assuntos com maior potencial de protagonismo. Pesquisa Genial/Quaest realizada em agosto mostrou que 33% dos entrevistados apontaram a violência como uma das principais preocupações do país. A área também está entre as mais mal avaliadas da atual administração federal.
O cenário cria espaço para propostas relacionadas ao combate ao crime organizado, atuação contra facções criminosas, endurecimento de penas e divisão de responsabilidades entre União, Estados e municípios.
A economia será outro eixo central. Inflação, custo de vida, impostos, gastos públicos, dívida e equilíbrio das contas federais devem aparecer nas perguntas e nos confrontos.
Apesar de indicadores como desemprego em patamares historicamente baixos e redução da pobreza, pesquisas mostram uma percepção mais negativa dos brasileiros sobre a situação econômica cotidiana. Em levantamento Genial/Quaest realizado em junho, 44% dos entrevistados disseram considerar que a economia havia piorado nos 12 meses anteriores.
A relação entre Brasil e Estados Unidos também pode entrar no debate, diante das recentes tensões diplomáticas e comerciais envolvendo os dois países.
Onde assistir
O debate começa às 20h deste domingo e será transmitido pela Band, BandNews TV, TV Cultura, TV Gazeta e Jovem Pan, além das rádios Bandeirantes e BandNews FM. Na internet, haverá transmissão pelo Bandplay, pelo site da emissora e pelo canal Band Jornalismo no YouTube.
A cobertura digital terá início às 19h, com bastidores e chegada dos candidatos. Uma Sala Digital desenvolvida em parceria com o Google acompanhará tendências de busca e a repercussão dos assuntos discutidos durante o programa.
Outros três debates presidenciais estão previstos antes do primeiro turno: em 14 de setembro, organizado por um pool que inclui CNN Brasil, SBT, Veja e Terra; em 27 de setembro, promovido pela Record; e em 1º de outubro, realizado pela TV Globo.

