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Lula diz que não protegerá filho e minimiza dívida pública em sabatina na Globo

redacao by redacao
28/08/2026
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Lula diz que não protegerá filho e minimiza dívida pública em sabatina na Globo
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, enfrentou uma sequência de questionamentos sobre investigações que alcançam pessoas próximas, defendeu a condução de seu governo diante da fraude no INSS, minimizou preocupações com o crescimento da dívida pública e apresentou segurança, tecnologia e industrialização como prioridades para um eventual quarto mandato durante sabatina da TV Globo, nesta quinta-feira, 27 de agosto.

A entrevista foi conduzida pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli, nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, e exibida após o Jornal Nacional. Lula foi o quarto presidenciável a participar da série promovida pela emissora para as eleições de 2026, depois de Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Renan Santos.

Boa parte do primeiro bloco foi dedicada a investigações da Polícia Federal que envolvem o filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, o ex-chefe de gabinete presidencial Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, e o senador Jaques Wagner, citado em apurações relacionadas ao Banco Master.

O tom da sequência de perguntas levou Lula a reclamar, em determinado momento, que estava se sentindo como se estivesse diante de investigadores.

“Eu estava parecendo que eu estava no Ministério Público”, afirmou o presidente antes de a entrevista avançar para os temas econômicos.

Lula diz que Lulinha terá de responder se cometeu crime
Um dos momentos de maior pressão ocorreu logo no início da entrevista, quando Lula foi questionado sobre as investigações envolvendo seu filho.

A Polícia Federal apura suspeitas de tráfico de influência relacionadas a negócios de interesse de empresários junto ao governo federal. Parte da investigação envolve mensagens da lobista Roberta Luchsinger, apontada nas apurações como próxima de Lulinha.

Lula procurou separar a relação familiar da responsabilidade criminal. Disse acreditar que o filho será inocentado, mas declarou que não pretende interferir nas investigações caso as apurações avancem.

“Se o Fábio cometeu qualquer ilícito, ele tem que pagar como qualquer brasileiro”, disse.

O presidente também garantiu que não afastará delegados da Polícia Federal para tentar beneficiar o filho. Ao mesmo tempo, classificou parte do material divulgado até agora como “ilações” derivadas de conversas telefônicas e afirmou que ainda não teria sido apresentada prova de desvio de dinheiro público por Lulinha.

A PF investiga mensagens nas quais Roberta aparece discutindo interesses empresariais e possíveis articulações relacionadas ao governo. Relatórios da investigação mencionam tentativas de viabilizar negócios nas áreas de medicamentos à base de canabidiol e testes para dengue. Os contratos citados nas investigações não foram concretizados. A defesa de Lulinha nega que ele tenha realizado intervenção junto ao governo em benefício dos empresários investigados.

Lula chama lobista de “pilantra” e nega proximidade
Questionado diretamente sobre Roberta Luchsinger, Lula reagiu de maneira dura.

O presidente disse não ter relação com a empresária e rejeitou mensagens nas quais ela teria afirmado possuir acesso privilegiado ao petista e até recebido dele uma oferta para ocupar uma posição no governo.

Durante a resposta, Lula chamou Roberta de “pilantra” e afirmou que as declarações atribuídas a ela não poderiam ser tratadas automaticamente como verdade.

“Nunca vi e nem sei quem é essa mulher”, declarou durante a sabatina.

Reportagens publicadas após a entrevista apontaram, entretanto, a existência de fotografias em que Lula e Roberta aparecem no mesmo ambiente. O registro de uma foto não demonstra, por si só, relação pessoal ou participação em irregularidades, mas entrou em contraste com a declaração literal do presidente de que nunca teria visto a empresária.

Ex-chefe de gabinete recebeu dinheiro de Roberta
A entrevista também abordou a relação entre Roberta Luchsinger e Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula.

Investigações apontaram que a empresária pagou despesas pessoais do ex-assessor. A defesa de Marcola sustenta que os valores correspondiam a um empréstimo pessoal posteriormente quitado.

Lula admitiu que a situação foi inadequada.

“Não é adequado, é totalmente errado”, afirmou o presidente ao comentar a relação financeira.

O petista disse que Marcola era uma pessoa de sua confiança, mas afirmou que a proximidade não impediria eventual responsabilização caso seja comprovada alguma irregularidade.

Documentos obtidos pela investigação também mostram trocas de mensagens envolvendo tentativas de negócios relacionados ao Ministério da Saúde. Marcola nega ter intermediado contratos ou encaminhado propostas comerciais dentro do governo.

Lula defende Jaques Wagner no caso Banco Master
Outro aliado próximo citado na sabatina foi o senador Jaques Wagner (PT-BA).

O parlamentar teve o nome mencionado em investigações relacionadas ao Banco Master. Registros analisados pela PF apontaram contatos entre Wagner e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio da instituição financeira.

Lula saiu em defesa do senador e recorreu ao princípio da presunção de inocência.

“As pessoas são inocentes até que se prove o contrário”, afirmou.

O presidente acrescentou que conhece Wagner há décadas e declarou: “Tenho consciência de que o Wagner é honesto.” Ao mesmo tempo, disse que, caso seja comprovado algum desvio, o aliado terá de responder como qualquer outra pessoa.

Fraude no INSS entra no centro da entrevista
O esquema de descontos indevidos de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) também ocupou parte importante da sabatina.

Lula argumentou que as irregularidades foram descobertas justamente porque órgãos de seu governo, entre eles a Controladoria-Geral da União e a Polícia Federal, avançaram nas investigações.

“Ninguém nunca reconhece que tinha corrupção. Precisou a CGU e a Polícia Federal investigar”, declarou.

Segundo Lula, o governo já devolveu aproximadamente R$ 3,5 bilhões às vítimas dos descontos indevidos. Ele afirmou ainda que pretende recuperar dinheiro por meio dos bens apreendidos dos investigados.

O presidente sustentou que o esquema começou em 2019 e argumentou que a investigação precisou permanecer em andamento durante um período prolongado para evitar que os integrantes da suposta organização desmontassem a estrutura antes da operação policial.

Lula também foi questionado sobre o ex-ministro da Previdência Carlos Lupi, que deixou o governo em meio à crise. O petista disse que Lupi não foi condenado e defendeu aguardar as conclusões das investigações antes de romper relações políticas ou pessoais com o ex-ministro.

Lula promete anunciar fim da fila do INSS
Outro problema envolvendo a Previdência foi a fila para concessão de benefícios.

Durante a entrevista, César Tralli citou aproximadamente 1,3 milhão de pessoas aguardando análise de pedidos. Lula afirmou que o governo fará um anúncio na próxima semana para declarar a fila praticamente zerada.

“Semana que vem, vou anunciar que a fila zerou”, afirmou.

Segundo o presidente, restarão cerca de 251 mil pedidos com espera de até 45 dias, patamar que classificou como normal para a operação do sistema.

Lula afirmou ainda que encontrou aproximadamente três milhões de pessoas aguardando atendimento quando iniciou o terceiro mandato e sustentou que o governo conseguiu reduzir significativamente o estoque de solicitações.

“A mim não preocupa a dívida pública”
Depois de uma primeira parte dominada por investigações e suspeitas envolvendo integrantes do entorno político e familiar do presidente, a sabatina avançou para economia.

Um dos trechos de maior repercussão ocorreu quando Lula foi questionado sobre a trajetória da dívida pública brasileira, que alcançou 81,9% do PIB em junho de 2026.

“A mim não preocupa a dívida pública”, afirmou.

Lula argumentou que o tamanho da dívida precisa ser analisado em conjunto com o crescimento da economia e comparou o Brasil com países desenvolvidos que apresentam índices de endividamento superiores.

“80% do PIB em dívida pública não é muito se olharmos para os Estados Unidos, para o Japão e para a Itália”, afirmou.

O presidente atribuiu parte do crescimento da relação entre dívida e PIB ao baixo desempenho econômico acumulado ao longo de anos e aos juros elevados.

Segundo Lula, sua estratégia não será simplesmente reduzir despesas para diminuir o endividamento, mas estimular o crescimento econômico para aumentar o PIB e, consequentemente, reduzir proporcionalmente o peso da dívida.

Lula prevê superávit e reivindica responsabilidade fiscal
Apesar da frase sobre a dívida, Lula rejeitou a ideia de que seu governo não tenha compromisso com o equilíbrio das contas públicas.

O candidato afirmou que recebeu o governo, em janeiro de 2023, com déficit fiscal equivalente a 2,8% do PIB e disse esperar terminar 2026 com superávit primário de 0,1%.

“Se tem alguém neste país que tem responsabilidade fiscal, sou eu”, declarou.

O presidente também destacou resultados fiscais de seus dois primeiros mandatos e afirmou que sua equipe econômica mantém compromisso com o controle das contas.

Questionado sobre quais despesas obrigatórias pretende cortar ou revisar para melhorar a situação fiscal em um quarto mandato, Lula não apresentou durante a entrevista uma lista específica de cortes. Em vez disso, voltou a enfatizar crescimento econômico, investimento e aumento da capacidade produtiva do país.

Correios não serão privatizados, afirma Lula
Outra discussão econômica relevante foi a crise financeira dos Correios.

A estatal acumula resultados negativos consecutivos e enfrenta um processo de reestruturação. Lula reconheceu que a empresa não conseguiu acompanhar adequadamente as transformações no mercado de logística e entregas.

“A crise dos Correios é que não se adaptou aos novos tempos”, disse.

Apesar da situação financeira, o presidente descartou privatizar a companhia.

“Não considero vender os Correios”, afirmou.

Lula disse que pretende recuperar a estatal e defendeu sua importância por estar presente em praticamente todo o território nacional.

O candidato admitiu que será necessário fazer um “enxugamento” da empresa e afirmou que os Correios precisam se modernizar para competir com companhias privadas de logística.

O presidente também deixou aberta a possibilidade de associações e parcerias com empresas brasileiras ou estrangeiras, desde que a estatal seja preservada.

Segurança pública vira prioridade para eventual quarto mandato
Na reta final da entrevista, Lula apresentou a segurança pública como uma das prioridades de um eventual novo governo.

O presidente defendeu maior coordenação entre União, estados e municípios e afirmou que pretende recuperar regiões atualmente controladas por organizações criminosas.

“Meu desejo é recuperar o território para o povo”, declarou.

Lula argumentou que o enfrentamento às facções não pode se limitar a operações policiais nas comunidades e defendeu ações contra o chamado “andar de cima” do crime organizado, principalmente estruturas financeiras responsáveis por lavagem de dinheiro e financiamento das organizações.

O presidente citou a Operação Carbono Oculto, deflagrada em 2025 contra um esquema de fraudes, sonegação e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, como exemplo de investigação voltada à estrutura financeira do crime organizado.

Ministério da Segurança Pública após aprovação de PEC
Lula também confirmou a intenção de criar um Ministério da Segurança Pública separado do Ministério da Justiça.

A medida, porém, foi condicionada à aprovação da PEC da Segurança Pública no Congresso Nacional.

“A hora que se aprovar a PEC da Segurança Pública, eu crio o Ministério da Segurança Pública”, afirmou.

Segundo Lula, antes da criação da pasta é necessário estabelecer de maneira mais clara as responsabilidades da União, dos estados e dos municípios.

O presidente afirmou que a proposta busca melhorar a integração entre diferentes forças de segurança e aumentar a capacidade do governo federal de atuar no combate ao crime organizado.

Também reconheceu que a estratégia exigirá investimentos elevados.

“Para a gente ter uma polícia eficiente e acabar com o crime organizado, vai ter que ter muito dinheiro”, declarou.

Lula cita Trump e defende cooperação contra narcotráfico
No campo internacional, Lula afirmou que o Brasil está disposto a ampliar a colaboração com outros países no combate ao narcotráfico.

Segundo o presidente, uma proposta de cooperação foi apresentada ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que os dois países atuem de maneira conjunta contra redes internacionais do crime organizado.

Lula também mencionou uma base da Polícia Federal em Manaus com participação de agentes e representantes de outros países sul-americanos, dentro de uma estratégia para aumentar a cooperação nas regiões de fronteira.

Lula é questionado sobre violência na Bahia
A segurança também levou os entrevistadores aos indicadores de violência da Bahia, estado governado pelo PT há duas décadas e que concentra municípios entre os mais violentos do país.

Lula rejeitou a ideia de responsabilizar exclusivamente o governo estadual e argumentou que a dificuldade para conter o avanço das organizações criminosas se repete em diferentes unidades da Federação.

Segundo o presidente, nenhum governador conseguiu resolver sozinho o problema, o que reforçaria a necessidade de uma política nacional integrada.

Educação, tempo integral e Pé-de-Meia
Na área de educação, Lula destacou programas de alfabetização, expansão de escolas em tempo integral, universidades e institutos federais e o Pé-de-Meia, iniciativa destinada a estimular a permanência de estudantes de baixa renda no ensino médio.

O presidente também mencionou Ceará e Piauí como referências de desempenho na educação básica e argumentou que a União precisa atuar em parceria com governos estaduais e municipais.

Lula apresentou a educação como uma das bases para a redução da desigualdade e para a estratégia de desenvolvimento de longo prazo.

Tecnologia, inteligência artificial e terras raras
Ao falar sobre o que pretende fazer em um eventual quarto mandato, Lula procurou deslocar o discurso das políticas sociais tradicionais para uma agenda de desenvolvimento tecnológico.

O candidato disse querer promover uma “revolução tecnológica” no país, com investimentos em inteligência artificial, indústria, defesa e exploração de minerais considerados estratégicos.

As terras raras e outros minerais críticos ganharam destaque.

A proposta apresentada por Lula é evitar que o Brasil permaneça apenas como exportador de matérias-primas e construir capacidade nacional para processar esses recursos e utilizá-los na fabricação de produtos de maior valor agregado, incluindo baterias, semicondutores e outros componentes tecnológicos.

A disputa mundial por minerais críticos ganhou importância nos últimos anos devido à sua utilização em veículos elétricos, equipamentos militares, tecnologias de energia renovável, telecomunicações e chips.

Lula diz ter “acabado com a fome duas vezes”
Na defesa de sua candidatura a mais um mandato, Lula voltou a recorrer ao legado social dos governos petistas.

“Já acabei com a fome duas vezes”, afirmou ao falar sobre as prioridades das diferentes etapas de seus governos.

O presidente argumentou que o objetivo de um quarto mandato seria avançar além das políticas sociais e colocar o Brasil em condições de competir tecnologicamente com as principais economias do mundo.

A mensagem final combinou, portanto, dois elementos tradicionais de seu discurso eleitoral: a defesa de programas de combate à pobreza e uma promessa de nova industrialização baseada em tecnologia, infraestrutura, minerais estratégicos e maior presença do Estado.

Investigações dominaram primeiro bloco; segurança e economia marcaram reta final
A entrevista de Lula teve duas fases distintas.

Na primeira, o presidente foi colocado principalmente na posição de responder sobre Lulinha, Roberta Luchsinger, Marcola, Banco Master, Jaques Wagner e fraude no INSS.

Lula adotou uma linha semelhante diante dos casos: afirmou que familiares e aliados terão de responder caso crimes sejam comprovados, mas criticou conclusões antecipadas e insistiu que parte das acusações ainda estaria baseada em “ilações”.

Na segunda parte, o candidato tentou apresentar a agenda de um eventual quarto mandato. Defendeu crescimento econômico mesmo diante do aumento da dívida, descartou privatizar os Correios, prometeu criar o Ministério da Segurança Pública após a aprovação de uma PEC e colocou inteligência artificial, minerais críticos e industrialização entre as prioridades para os próximos anos.

A frase “a mim não preocupa a dívida pública”, a defesa de que Lulinha responda caso tenha cometido ilícitos, a crítica ao comportamento do ex-chefe de gabinete e a promessa de “recuperar o território para o povo” no combate às facções estiveram entre as declarações de maior impacto político da noite.

A série de entrevistas da Globo continua nesta sexta-feira, 28 de agosto, com Flávio Bolsonaro (PL). No sábado, 29, o candidato Augusto Cury (Avante) encerra a rodada de sabatinas com os presidenciáveis.



Fonte de matéria https://spdiario.com.br/noticias/politica/lula-diz-que-nao-protegera-filho-e-minimiza-divida-publica-em-sabatina-na-globo.html

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