O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, afirmou ter recebido mais de 1,8 mil ameaças de morte nos últimos meses. A declaração foi feita durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais na madrugada deste domingo (16), em meio a uma série de manifestações de aliados sobre a necessidade de reforçar a segurança do candidato durante a campanha.
Segundo Flávio, as ameaças aumentaram depois que ele passou a defender a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC), do Comando Vermelho (CV) e de milícias como organizações terroristas. A equipe do senador afirma que parte dos registros já resultou em investigações conduzidas pela Polícia do Senado Federal.
De acordo com a campanha, são 868 ameaças consideradas explícitas, 647 manifestações de incitação à violência, 640 referências classificadas como codificadas e 133 conteúdos relacionados a possíveis planos ou oportunidades de ataques. Os números foram divulgados pela equipe em julho.
Flávio conta atualmente com a proteção da Polícia do Senado em Brasília e durante viagens. O senador também afirmou que agentes da corporação teriam levado uma pessoa à delegacia após identificarem uma suposta intenção de atacá-lo durante uma agenda em Juiz de Fora (MG), nesta segunda-feira (17).
Segurança reforçada
A preocupação com a segurança passou a ocupar espaço frequente nos discursos da campanha. Flávio tem utilizado colete à prova de balas durante eventos públicos e afirma que o esquema de proteção foi ampliado diante do aumento das ameaças.
Em julho, o candidato também decidiu não utilizar a escolta oferecida pela Polícia Federal durante suas viagens de campanha. Na ocasião, alegou desconfiança em relação à corporação, que é comandada pelo diretor-geral Andrei Rodrigues, indicado durante o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A estrutura da Polícia Federal responsável pela proteção de candidatos é coordenada pela Diretoria de Proteção à Pessoa e conta com equipes especializadas para acompanhar agendas eleitorais em diferentes estados.
Apesar da decisão de Flávio, a campanha mantém agentes da Polícia do Senado responsáveis pela segurança do candidato.
Aliados levantam hipótese de atentado
Nos últimos meses, aliados de Flávio passaram a mencionar publicamente a possibilidade de uma tentativa de ataque contra o candidato. A preocupação ganhou força, segundo a campanha, após declarações e episódios relacionados à disputa eleitoral.
O senador também apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF), por meio de seus advogados, uma manifestação na qual afirmou que declarações recentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderiam representar uma ameaça ou incentivo à violência contra ele.
O coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), confirmou que existe preocupação com a segurança do candidato. Segundo ele, a equipe vem adotando medidas preventivas e conta com o apoio da Polícia do Senado.
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro também afirmou que o irmão deveria redobrar os cuidados durante a campanha e associou um eventual ataque a possíveis consequências eleitorais.
Não há, porém, evidências públicas apresentadas até o momento de que exista uma articulação de grupos de esquerda para atacar Flávio Bolsonaro. A própria sucessão de episódios mencionados por aliados inclui manifestações e acusações que não resultaram em ataques.
Campanha cita ameaças em meio à disputa eleitoral
A equipe de Flávio afirma que o candidato passou a receber ameaças com maior frequência depois de defender medidas mais duras contra organizações criminosas. O tema se tornou uma das principais bandeiras de sua campanha e também tem sido utilizado em seus discursos sobre segurança pública.
Os relatos sobre possíveis ataques passaram a circular entre apoiadores e integrantes da campanha, inclusive nas redes sociais. Em alguns casos, foram divulgadas acusações sobre supostos planos de criminosos contra o senador, mas determinadas previsões não se concretizaram.
Diante do cenário, a campanha mantém o esquema reforçado de proteção e afirma que continuará monitorando ameaças direcionadas ao candidato.
Enquanto a eleição avança, Flávio Bolsonaro tenta conciliar a agenda de rua com as medidas de segurança adotadas pela equipe. O senador afirma que pretende manter a participação em eventos públicos, embora reconheça que o aparato de proteção limita a proximidade com eleitores durante algumas atividades.

