Os Correios encerraram o primeiro semestre de 2026 com prejuízo líquido de R$ 5,55 bilhões, aprofundando o cenário de dificuldades financeiras enfrentado pela estatal. O rombo ficou 30,36% acima dos R$ 4,26 bilhões registrados entre janeiro e junho do ano passado, segundo balanço divulgado neste sábado (29).
Apesar da piora no acumulado do semestre, os números do segundo trimestre apontam uma redução das perdas. Entre abril e junho, o resultado negativo foi de R$ 2,39 bilhões, ante R$ 2,53 bilhões no mesmo intervalo de 2025, uma queda de 5,5%. Na comparação com os três primeiros meses deste ano, quando o déficit chegou a R$ 3,16 bilhões, a diminuição foi de 24,4%.
A receita líquida com vendas e serviços também apresentou sinais distintos. No segundo trimestre, foram contabilizados R$ 4,01 bilhões, valor 5,41% inferior aos R$ 4,24 bilhões obtidos no mesmo período do ano passado. Em relação ao primeiro trimestre de 2026, no entanto, houve avanço de 3,8%.
Os resultados são divulgados enquanto a companhia executa um plano de reestruturação para tentar reverter a deterioração financeira. Entre as medidas estão a revisão de gastos e contratos, mudanças na organização interna, ações para elevar a eficiência das operações e iniciativas destinadas à ampliação das receitas.
A administração reconheceu que a situação financeira continua difícil e afirmou que os números reforçam a necessidade de manter o processo de reorganização. A estratégia prevê ainda a modernização do modelo de negócios e a busca por uma recuperação sustentável das receitas.
Além das medidas internas, os Correios deverão receber recursos do governo federal. Está previsto um aporte de R$ 6 bilhões até o fim de 2027, compromisso relacionado ao empréstimo de R$ 12 bilhões contratado pela estatal no ano passado junto a cinco instituições financeiras, com garantia do Tesouro Nacional.
Segundo o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, os recursos destinados à capitalização da empresa serão contemplados na proposta da Lei Orçamentária Anual de 2027.
